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Periferia decifra o que é ser classe C
São Paulo, 05 de Novembro de 2012 ás 11h32

O mercado publicitário e os estudos econômicos não entendem nada sobre a vida na periferia e, principalmente, da população pertencente a classe C que vive nos bairros mais afastados do Centro. Pelo menos esse é o resultado da pesquisa da Rede DoLadodeCá sobre esse “novo” público, que cresce a cada ano junto com a ascensão econômica do país.

Idealizado por Tatiana Ivanovici em parceria com a IK Ideias e a Apis3, o estudo documental “A Vida do Lado de Cá” mostra um olhar de dentro para fora da periferia.

Ele aponta, por exemplo, que a educação e a formação profissional são metas de consumo tão importantes quanto a casa própria. Ou que as marcas mais valorizadas são aquelas que investem em projetos sociais com reflexos diretos no cotidiano dos clientes.

Um dos grandes motores da mudança de comportamento é a internet, que substituiu a televisão como a principal referência nas decisões de compra. “Quando a gente pensou neste estudo a ideia era buscar uma maneira de dar rosto para essas pessoas. O que a classe C pensa sobre ser rotulada de classe C? O que simboliza na prática essa ascensão? O que mudou no universo dessas pessoas? Isso os números das pesquisas não mostram”, disse Tatiana.

No primeiro semestre deste ano o núcleo entrevistou formadores de opinião, músicos, sociólogos, consumidores e moradores que vivem o cotidiano da periferia. “O projeto todo é fundamentado no conhecimento compartilhado entre os profissionais envolvidos no DoLadodeCá”, disse.

Resultado

O estudo é pioneiro porque dá voz aos números, além de apresentar uma nova metodologia de pesquisa qualitativa. A Rede DoLadodeCá faz marketing relacionado à causa, na lógica do negócio social, e tem como missão o progresso compartilhado.
As ações de comunicação são criadas em conjunto com a periferia e geram trabalho e renda para os moradores, potencializando as iniciativas já existentes na periferia.

“Criamos um modelo de negócios onde todos são beneficiados: a marca e a comunidade, que deixam legados. O principal é reconhecer, valorizar e remunerar dignamente as pessoas que já fazem um trabalho social na periferia”, explica Tatiana.

Confira alguns dos depoimentos:

Emicida - Rapper
“Sem autoestima você não constrói e não cresce. É isso que eu vejo atualmente nas periferias”

Sérgio Vaz - Escritor e poeta
“As pessoas não estão indo só aos shoppings. Estão indo também aos cursos de inglês e à faculdade”

Fernando Batista - Jogador de várzea
“Agora o pessoal pensa em comprar material, bater laje e melhorar a sua casinha sem sair do lugar onde vive”

Chris - Grafiteiro
“A periferia também consome informação. A classe C compra jornal e revista. É ela quem move a economia”

Nego Branco - Sambista
“O serviço de telefonia é ruim. A propaganda tenta atrair a classe C, mas a gente percebe que não é bom”

Ana Cristina - Vendedora
“Se a empresa mostra interesse real pela comunidade, todos vão querer experimentar e comprar esse produto”

Marta Moura - Manicure
“Os jovens da periferia gostam e investem em marcas famosas, mas essas marcas não percebem isso”

T. Kaçula - Sociólogo
“A classe C vai lá, faz crediário ou compra à vista quando dá. Batalha e faz a economia do país girar”

57% da população será classe média em 2022
Estudo realizado pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) do governo aponta que, daqui a dez anos, a classe C será 57% da população brasileira, dois pontos percentuais acima dos atuais 55%, caso seja mantido o ritmo de crescimento econômico da última década, quando houve uma evolução maior de renda para a população mais pobre.

No entanto, em outro cenário, com uma média igual de crescimento econômico para todas as classes sociais, a classe C em 2022 permanecerá em 55%.

De acordo com a diretora de projetos da SAE, Diana Grosner, o governo elabora planos estratégicos e projetos para garantir tanto o aumento de emergentes das classes mais baixas para a classe média quanto a migração desta nova classe C para a classe alta nos próximos anos.

“Só se preocupar com projetos que incentivem o crescimento da classe C é um erro estratégico. Temos de pensar em propostas que, além de manter o sucesso alcançado até aqui, garantam a chance de passagem da classe média para a classe alta”, disse.

No dia 12 de novembro a SAE vai divulgar um estudo inédito comparando o perfil da classe média em 2002 com o cenário atual. “A classe C é a maioria da população e apresenta muitos desafios para o governo. Nos últimos anos houve um incremento importante de trabalhadores da classe C no mercado formal, porém a rotatividade ainda é muito alta. Por isso o governo precisa de políticas de qualificação profissional para reduzir a rotatividade e aumentar a segurança da classe C”, disse.

Em relação às finanças, Diana afirma que a classe C deve aumentar os níveis de poupança e o consumo de seguros.
 



Diário de S. Paulo (4/11/2012)



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