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Cannes Live: para Scott Galloway, pandemia nos fez passar por uma década em semanas
São Paulo, 26 de Junho de 2020 ás 11h18

Em transmissão online, professor da Universidade de Nova York traçou algumas das consequências do coronavírus à economia mundial
 
por Juliana Vilhena Nascimento / COO da F.biz
 
Esta semana seria aquela em que boa parte da indústria da publicidade estaria reunida pra celebrar o trabalho do ano anterior e discutir seu futuro em Cannes, na riviera francesa.
 
Figurinha carimbada nas últimas edições do evento, o professor da NYU Scott Galloway veio ao palco virtual do Cannes Live para fazer sua tradicional rodada de previsões pro ano seguinte. Pra quem não o conhece, ele é conhecido por sua habilidade em consolidar e ler múltiplas fontes de dados pra antecipar tendências, movimentos estratégicos de empresas e categorias – e um pouquinho do futuro, também.
 
Por razões óbvias, este ano o foco da conversa foi o impacto da pandemia no futuro. Galloway não decepcionou e falou com a acidez de costume de diversas consequências:
 
Os ricos sairão da pandemia mais ricos e os pobres, mais pobres. E isso vale também pra pessoas e pra empresas: Galloway comenta que nos EUA os maiores beneficiários do pacote de assistência do governo às pessoas são a Amazon e o Walmart – porque as lojas pequenas estão, em sua maioria, fechadas para o público.
 
Do ponto de vista de digitalização, o avanço é claro: em pouco mais de 12 semanas, avançamos uma década. Isso tem enormes consequências para os negócios, e aqui mais uma vez o professor faz seu ponto contra o avanço quase incontrolável das Big Tech: são elas que colhem mais rápido os lucros deste movimento e por isso são elas que também recebem mais capital a um custo menor. Isso propaga um ciclo virtuoso que, do ponto de vista dele (e do meu, também!), é um perigo enorme pra economia, uma vez que cria uma concorrência desleal pra estes players.
 
Categorias como educação e saúde, que já vinham marchando com maior velocidade pro epicentro do furacão da disrupção, agora são enormes espaços de oportunidade pra empreendedores com espírito inovador – e como a tendência será da pandemia diminuir ou eliminar alguns dos custos pra empreender (espaço físico e mão de obra, especialmente), nunca houve tempo melhor para a modalidade.
 
Olhando estes e outros impactos, Galloway terminou a palestra dando dicas pra pessoas, executivos e investidores sobre como melhor sobreviver à pandemia. Repito as mais importantes abaixo:
 
Diminua a velocidade com a qual você gasta dinheiro (na pessoa física e na jurídica). Renegocie contratos, enxugue os pequenos luxos e indulgências. Parte do aprendizado vindo da pandemia deveria ser entender o que é realmente importante pra você e pra sua empresa.
 
Para executivos e investidores: entenda onde está o seu consumidor (lembre-se, avançamos uma década em dez anos!) e monte um plano pra que em 12 ou 24 meses você possa encontrá-lo. Neste plano, deixe clara sua visão, tanto para seus consumidores quanto a seus investidores.
 
Cuide dos seus relacionamentos. Pense nos seus pais (é hora de cuidar deles?), no tipo de relação que você tem com os seus irmãos e em quanto você tem investido e se dedicado às suas amizades.
 
O último conselho é, pra ele e pra mim, o mais importante. Porque como diz Esther Perel (e eu já falei disso aqui), a qualidade das nossas relações determina nossa qualidade de vida. Em tempos pandêmicos, o suporte que recebemos e podemos dar a quem queremos bem é o que definitivamente nos ajuda a lembrar que somos humanos – e que vamos passar por essa.



B9 (26.06.20)



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