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Empreendedorismo atrelado ao entretenimento ganha espaço na TV
São Paulo, 08 de Outubro de 2018 ás 11h33

Reality shows como Shark Tank contribuem para popularizar tema, que ganha força também no digital

Lidar corretamente com as finanças pessoais e conduzir o próprio negócio talvez não sejam as principais características dos brasileiros. O que não significa que o interesse pelos assuntos não seja crescente no país. Não à toa, nos últimos anos, assuntos ligados ao empreendedorismo, negócios e educação financeira têm se popularizado no país, sobretudo, com apoio canais especializados no YouTube e na TV, com o surgimento de reality shows temáticos. Tudo começou lá atrás, com Roberto Justus e O Aprendiz, em 2004, na Record, formato que reestreia na Band no ano que vem.

Já na TV paga, na esteira de atrações como Shark Tank - Negociando com Tubarões, exibido pelo canal Sony, e O Sócio, pelo History Channel, o brasileiro tem aprendido sobre marketing, diversificação de negócios, investimentos e capital de giro, entre outros temas relacionados. Ao mesmo tempo, o formato e a linguagem simples, que destacam histórias reais e emocionais de empreendedores, contribuem para tornar a experiência interessante e leve.

Segundo Eduardo Coutinho, diretor de planejamento comercial e soluções criativas do canal Sony, essa mistura é a chave para a popularidade do formato. “Na TV, sempre teve esse tipo de conteúdo. Com o Shark Tank, temos a parte informativa do mundo dos negócios, mas com dose de emoção e histórias reais. É um conteúdo que une o didático com entretenimento. Esse equilíbrio é a chave do sucesso”.

Na atração, empreendedores dos mais diversos ramos apresentam seu modelo de negócios para cinco “tubarões”, que avaliam o projeto e podem ou não aceitar investir em parte do negócio. São os empresários Caito Maia, fundador da Chilli Beans; Cristiana Arcangeli, empresária do segmento de moda, beleza e bem-estar; João Appolinário, fundador da Polishop; Robinson Shiba, criador e presidente da rede China In Box; e Camila Farani, investidora-anjo.

Em sua terceira temporada, o reality tem conquistado audiência qualificada, principalmente entre os públicos AB de 18 a 35 anos. Essa é uma das razões para que anunciantes de peso queiram se atrelar ao projeto. Nesta edição, Santander, Peugeot, Dell, Vivo Empresas, Rexona e Anhanguera patrocinam o programa.

Serviço
Mais do que simplesmente a visibilidade que as atrações entregam, as marcas estão focadas na prestação de serviço e conteúdos que gerem conhecimento para a audiência. É o que tem apostado o Santander, que viabiliza, por exemplo, o glossário do Shark Tank. A ideia é traduzir quatro ou cinco termos específicos do mundo do empreendedorismo e negócios para uma linguagem facilmente assimilada.

Segundo Igor Puga, diretor de marketing e marca do Santander, o insight surgiu com base no monitoramento das conversas sobre o programa nas redes sociais. “Identificamos inúmeras menções de pessoas reclamando de que não estavam compreendendo o que os apresentadores estavam falando. Vimos que havia uma oportunidade de traduzir esses termos, então pensamos em fazer isso proativamente”. Para Barbara Teixeira, diretora de produção do canal Sony, as parcerias com os patrocinadores são construídas tendo como base a democratização do assunto e a prestação de serviço para a audiência. “A ideia é que as marcas ajudem os telespectadores a compreenderem cada vez mais esse universo”, defende a executiva.


Igor Puga, do Santander: “O importante é trazer
relações mais humanas” - Foto divulgação
 

DNA empreendedor
Caminho semelhante tem o reality show O Sócio, apresentado pelo empresário Marcus Lemonis. Como diferencial, a atração procura aliar histórias reais que causem empatia e interesse da audiência pelos conteúdos. A proposta tem interessado a marcas como a Vivo Empresas, que investiu em um projeto de branded integration na atração. Foram contadas nove histórias de participantes, sendo cada uma abordando um tema diferente de negócio relacionado às soluções que a empresa oferece a seus clientes. Os filmetes foram veiculados nos intervalos do programa.

Segundo Karen Santiago, diretora de programação do grupo A+E Networks Brasil, a atração se tornou uma das cinco séries de maior sucesso do History nos últimos três anos. Os bons resultados levaram o canal a manter uma noite dedicada ao tema: a quarta-feira de negócios.

“Ser dono do próprio negócio sempre foi uma oportunidade desejada pelas pessoas em geral. Com a crise econômica, o aumento da taxa de desemprego e a insegurança financeira, os brasileiros querem se reinventar e encontrar outras fontes de renda. Por isso, O Sócio desperta o interesse da audiência”.

De acordo com Puga, além de atrair potenciais clientes para as soluções da instituição financeira, apostar nos programas do gênero gera a oportunidade de estreitar relacionamento mais próximo com o público. No caso do banco, a imagem perante as pessoas passa a ter um teor mais humanizado. Como exemplo, ele destaca o quadro Sala Espelho, no Shark Tank, em que empreendedores de temporadas anteriores comparecem ao Farol Santander para receber uma surpresa: depoimentos emocionais de familiares e amigos. “A iniciativa cria empatia com a audiência. Grande parcela do público não é empreendedor. O programa não é apenas um tutorial para quem quer ter um negócio. As pessoas aprendem, mas o mais importante é trazer relações mais humanas”.


Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe, fala sobre finanças de maneira
descomplicada. Marcas como 99 e Serasa fazem branded content

Me poupe
Mas não é apenas na TV que o assunto encontra terreno fértil para debate, aprendizados e associação com marcas. O canal do YouTube Me Poupe é considerado o maior território de finanças do mundo, o primeiro a trazer o entretenimento para o universo financeiro. À frente do canal está Nathalia Arcuri, que tem a missão de traduzir os termos técnicos da área ao mesmo tempo que agrega humor e irreverência aos vídeos. “A busca na internet pelos termos como ganhar dinheiro e como investir mais do que dobrou nos últimos cinco anos. Isso demonstra o movimento natural dos brasileiros por conteúdos acessíveis”, destaca a youtuber. Com uma base de quase dois milhões de inscritos, o Me Poupe tem sido buscado por marcas como Serasa, 99 e Multiplus, entre outras, para projetos de branded content. As marcas são apoiadoras recorrentes do canal, opção feita por Nathália, que decidiu declinar ações pontuais. “Este ano tomamos a difícil decisão de fechar o canal para ações esporádicas. Prezamos por relacionamentos duradouros que já demonstraram gerar resultados mais efetivos”.

Com meta de alcançar três milhões de inscritos no canal até o fim do ano, Nathalia tem pensado em diversificar as plataformas e formatos de seu conteúdo. Ela mantém um programa na rádio 89 FM e ainda este ano vai lançar um projeto novo com apoio de quatro marcas. “Os mepoupeiros ficam felizes com condições especiais de promoções que conseguimos. Eles sabem que só realizamos ações que façam sentido com o nosso propósito. E é por isso que as ações de marca geram resultado”.

Crédito da imagem do topo: imtmphoto/iStock



Propmark (08/10/2018)



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