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Segundo round: como foi o último dia de Mark Zuckerberg no Congresso dos Estados Unidos
São Paulo, 12 de Abril de 2018 ás 11h03

Depois de um dia de poucas revelações, Mark Zuckerberg compareceu ao Congresso dos Estados Unidos para a sua segunda sessão de esclarecimentos sobre o caso envolvendo a empresa Cambridge Analytica, dessa vez respondendo às perguntas da Câmara dos Deputados do país.
 
O CEO do Facebook repetiu exatamente seu discurso de abertura da sessão anterior, assumindo que a empresa errou no caso em questão, e continuou sendo politicamente correto ao se deparar com perguntas mais “cabulosas” como a inicial feita pelo presidente do comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados, Greg Walden, sobre o Facebook ser uma empresa de mídia e também de pagamentos, já que permite o envio de dinheiro pelo Messenger.
 
Talvez, um dos melhores momentos desses dois dias de depoimentos foi quando o deputado Frank Pallone perguntou se Zuckerberg responderia “sim ou não” para “Você está comprometido a mudar configurações no Facebook para minimizar a coleta de dados?” e a resposta foi, mais uma vez, evasiva: “Deputado, essa é uma situação complexa que precisa de mais de uma palavra.”
 
A esquiva mostra que o comprometimento em minimizar os riscos de situações como a da Cambridge Analytica se repetirem, tão frisado até aqui pelo CEO em seus discursos e mínimas mudanças promovidas na plataforma nos últimos dias, não é exatamente o maior objetivo da empresa.
 
Já quando questionado pelo deputado Bobby Rush sobre os direitos civis e qual seria a diferença entre o Facebook e uma agência de vigilância, Mark ainda se apega no discurso de que todos os usuários sabem que estão dando informações para a plataforma:
 
“A diferença entre vigilância e o que fazemos é que o que fazemos é diferente. Você pode escolher que nós não coletemos suas informações, e você pode deletar seu Facebook. Não há organização de vigilância que eu conheça que você pode pedir para deletar seus dados.”
 
Até os dados de Zuckerberg foram usados
Entre os 87 milhões de usuários do Facebook que tiveram seus dados coletados indevidamente pela Cambridge Analytica está o próprio Mark Zuckerberg.
 
Ele admitiu que suas informações pessoais também foram exploradas pela empresa, que usou os dados coletados para construir algoritmos e direcionar campanhas políticas durante as eleições de 2016, nos Estados Unidos, a favor do presidente eleito Donald Trump.
 
O presidente do Facebook, porém, se limitou a não dizer se ele fez o teste “This Is Your Digital Life” ou se foi alvo através de algum amigo que tenha usado o app.
 
Mark também voltou a dizer que Aleksandr Kogan vendeu os dados coletados para outras empresas, novamente sem dar muitos detalhes, e também voltou a garantir que o Facebook não vende dados à ninguém:
 
“Nós não vendemos dados para os anunciantes. Nós direcionamos a mensagem deles para as pessoas certas.”
 
Questionamentos sem respostas
Zuckerberg foi visivelmente mais confrontado hoje, como quando a deputada Kathy Castor afirmou que mesmo quando os usuários do Facebook saem da plataforma, ela continua coletando dados das pessoas e que isso não faz parte dos termos assumidos pelo usuário.
 
A sequência de perguntas da deputada deixou-o sem respostas:
 
– “Você rastreia os dados do que as pessoas compram?”
– “Se elas compartilharem com a gente. Mas os usuários não compartilham isso com a gente, dados de transação.”
– “Vocês coletam dados médicos?” 
– “Sim, mas…” 
– “Vocês coletam dados de viagens?” 
– “Todo mundo tem controle de como isso funciona.” 
– “Mas esse é o seu negócio, coletar dados?” 
– “Discordo dessa caracterização. As pessoas escolhem compartilhar seus dados.” 
 
E como ficou?
Embora a sabatina de ontem tenha sido bem mais “suave” que a de hoje para Mark Zuckerberg, o presidente do Facebook manteve seu discurso que o caso da Cambridge Analytica foi um erro pontual, longe de ser associado a uma prática interna de venda de dados dos usuários pela empresa a terceiros, o que segundo ele não acontece por lá.
 
Porém, hoje Mark encontrou dificuldades para esclarecer pontos que fazem parte da polêmica toda, como a questão dos filtros automáticos tão usados na plataforma serem um tipo de censura, as dúvidas envolvendo perfis-sombras (e que Mark apenas disse que não poderia responder), e a grande pergunta sobre como confiar no que o Facebook diz, se a plataforma é quem se autorregula?
 
Mais que apenas o caso da Cambridge Analytica, todos esses pontos levam à ideia levantada pelo deputado Raul Ruiz sobre a necessidade de uma autoridade regulatória sobre privacidade e proteção de dados pessoais, coisa que já existe na Europa.
 
Resta saber se isso tudo resultará efetivamente na criação de uma agência reguladora nos Estados Unidos.



B9 (11/04/2018)



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