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Qual é o estágio de maturidade do mercado de influencers?
São Paulo, 10 de Janeiro de 2018 ás 10h34

Geralmente os segmentos que crescem exponencialmente em um curto período de tempo precisam trocar os pneus com o carro em movimento. Em outras palavras, sem a analogia mencionada neste começo de texto, a evolução de alguns conceitos, modelos e do próprio negócio só acontece por meio do aprendizado que vem com o tempo e, consequentemente, com as derrapadas no caminho.
 
Se por um lado a relação entre marcas e influenciadores está cada vez mais profissional e assertiva para ambos (clientes e creators), por outro há um enorme potencial pela frente. Descobrir o estágio de maturidade da atividade no país não é apenas uma mera curiosidade, mas essencial para saber quais são os pontos de conflito, convergência, anseios e, principalmente, como prosseguir e continuar evoluindo.
 
Para continuar o debate deste Especial Influenciadores, a entrevista da vez é com Gian Marco La Barbera, COO da iFruit, empresa que se posiciona como “facilitadora” para agências e marcas, prestando serviços desde o planejamento da campanha, passando pelas ferramentas de inteligência que auxiliam o processo, até a execução do conteúdo. Confira:
 
Qual é o estágio de maturidade do mercado brasileiro de influenciadores?
 
Acredito que estamos ainda muito longe do ideal, em todas as pontas do processo... Seja por quem compra, pelas agências de inteligência e principalmente pelos influencers e seus agentes. O mercado está ainda muito imaturo. Aqui na iFruit, todos os dias fazemos um processo de catequização junto a clientes, agências e também os influenciadores em geral. Buscamos mostrar através de nossa expertise e inteligência parâmetros que atestem o porquê daquele nome, o valor orçado para o projeto ou mesmo porque aquela marca é importante para determinado influenciador. O mercado como um todo tem ainda muito para crescer e se profissionalizar. Ainda estamos iniciando esta estrada.
 
Quais são os principais desafios e oportunidades neste novo mercado?
 
Em minha opinião, o principal desafio é construir um mercado maduro e profissional o suficiente, onde empresas sérias como a iFruit sejam reconhecidas tanto pelos anunciantes como pelos influencers. De um lado do processo usamos um ferramental gigantesco e importante para “vender” e defender um determinado nome para uma marca ou produto, o que muitas vezes passa despercebido pelo influenciador ou celebridade. Já do lado do anunciante temos toda estrutura pronta com pessoas capacitadas para fazer o processo todo acontecer e, acredite, não é fácil lidar com pessoas físicas do outro lado, que não necessariamente estão abaixo de uma estrutura com normas e padrões estabelecidos e prontos a serem cumpridos e entregues. Há muito valor, trabalho e inteligência em todas as partes do processo de uma campanha, desde o inicio do briefing e planejamento até o pós venda final. Muitos clientes chegam até a gente pedindo ajuda, pois não conseguem fazer a coisa acontecer do jeito correto e com um resultado positivo. As oportunidades são infinitas neste mercado que crescerá muito ainda acompanhando o amadurecimento e profissionalização dos influencers como um todo e, também, pelo poder de consumo e inovação das redes sociais em geral.
 
Quais são as principais diferenças entre digital influencers e celebridades? Quais as vantagens de cada um deles?
 
Digital influencers nasceram já dentro do ambiente digital e construíram sua fama e audiência através de um conteúdo próprio. As Celebridades foram construídas em outra área, seja pela música ou pelos grandes veículos de comunicação, e moldados dentro de um padrão de conteúdo de uma grande corporação. Cada vez mais ambos estão se tornando uma coisa só, pelo amadurecimento do mercado como um todo. Os digital influencers têm como vantagem um alto conhecimento da linguagem que performa melhor junto aos seus seguidores, além de ter, cada vez mais, uma produção de conteúdo de extrema qualidade. Já as celebridades possuem como vantagem um alto poder de reconhecimento junto ao público em geral, sendo notados como ídolos de uma grande parte da população.
 
O que é necessário fazer para o que influenciadores realmente consigam reproduzir em conteúdos de marca a mesma pegada e o sucesso dos conteúdos mais genuínos, feitos apenas para a audiência?
 
A marca ou produto devem estar inseridos dentro de um contexto que faça sentido para a audiência e de uma maneira subliminar, já que o ator principal desta ação é o influencer. A marca deve estar presente de uma maneira natural e dentro de uma linguagem que normalmente a audiência deste influenciador já está acostumada.
 
É desafiador trabalhar com os influenciadores?
 
É realmente desafiador, já que por se tratar de um mercado em formação e profissionalização muitos deles ainda não atingiram um nível de maturidade suficiente, seja por conta própria ou através do seu agente ou representante. Quando recomendamos um nome para trabalhar, procuramos saber antes o quanto profissional ele é, sua agilidade em responder uma demanda, o nível de parceria que possui e também o quando ele “compra” a ideia de uma determinada marca ou produto.
 
Qual é a relevância hoje de um bom conteúdo no sucesso dessas estratégias de influencer marketing?
 
É primordial um conteúdo de qualidade para o sucesso de uma estratégia... Conteúdo é rei na comunicação em geral.
 
O que uma empresa deve levar em conta para escolher uma celebridade ou um influenciador para ser embaixador de sua marca?
 
Checar o histórico dele não só em sua vida pessoal, como também nas redes sociais. Sobretudo, pesquisar como ele se comporta em relação às marcas, o quanto ele é frequente e interage de forma transparente e respeitosa com a sua audiência e seus seguidores, quais as redes dele que performam melhor e com quais níveis de engajamento e qualidade de conteúdo. Todos esses são itens essenciais.
 
O que é necessário para criar histórias autênticas de acordo com o objetivo de atuação dos clientes, gerando buzz e transformando o conteúdo em mídia espontânea?
 
Não existe uma fórmula exata para isso. O que buscamos fazer normalmente é colocar dentro de um mesmo contexto o influenciador exato para uma determinada marca, objetivo ou mensagem, conectando tudo isso através de uma estratégia ou ideia que faça sentido. Às vezes uma simples ideia já é suficiente para que aquela ação se transforme em algo muito maior do que inicialmente previsto, gerando buzz acima do esperado e resultando em um retorno de mídia ou vendas muito acima do investimento inicial. Em muitos casos, menos é mais.
 



Adnews (09/01/2018)



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