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Conversamos com o criador do Orkut e vale a pena ouvir o que ele tem a dizer
São Paulo, 17 de Março de 2017 ás 10h05

Imagine criar uma empresa com o seu nome e vê-la se expandir com vigor por praticamente todo o globo. Agora pense que esta startup vai dar origem ao conceito de rede social, pelo menos em linha com aquilo que temos hoje na internet. Foi exatamente o que aconteceu com Orkut Büyükkökten, engenheiro turco que criou o Orkut, em janeiro de 2004.
 
No total, estima-se que mais de 300 milhões de usuários passaram pela plataforma para visualizar perfis de amigos, deixar depoimentos, “scraps” e debates em diversas comunidades. Deste bolo, mais de 40 milhões de brasileiros. Diante do dinamismo do mundo digital e as mudanças comportamentais de geração para geração, a rede social perdeu força com o tempo e foi dando espaço para players como Twitter, Facebook, Instagram, entre outros.
 
Em setembro de 2014, já com o projeto nas mãos do Google, Orkut viu de longe o fim da sua rede social. Dois meses antes, o engenheiro já havia deixado a gigante americana para abraçar o seu novo projeto, a rede social Hello, cujo aplicativo já conta com mais de 200 mil downloads, apenas no Brasil. Na visão de quem pavimentou essa estrada hoje denominada social media, Orkut conta em sua visão com uma mescla de crítica e otimismo sobre o novo cenário que se formou no segmento.
 
Confira abaixo um bate-papo exclusivo, onde ele compartilha algumas de suas principais análises, incluindo o comportamento do público brasileiro.  
 
Como você vê a evolução da rede social na última década?
 
Há duas grandes mudanças dramáticas que aconteceram na última década. Primeiro os avanços na tecnologia e a mudança no consumo de mídia digital. Vivemos em um mundo que está mais conectado que nunca. Todo mundo tem smartphones e tablets, e eles se tornaram o principal meio para pesquisar, se comunicar, comprar, ler notícias, assistir a vídeos e acessar mídias sociais. Além disso, há uma década, os consumidores estavam sendo expostos às redes sociais pela primeira vez. Agora, temos uma geração que está em várias redes sociais, sempre online e com um modo de agir multitarefa. A combinação da tecnologia e do comportamento do consumidor afetou tremendamente o cenário da rede social.
 
O que mudou no comportamento dos usuários neste período?
 
Muitas das nossas interações face-a-face transitaram para dispositivos móveis. Os smartphones tornaram-se o nosso portal para nos mantermos atualizados e em contato com os nossos amigos. Por outro lado, infelizmente, ao longo do tempo, os usuários começaram a se sentir menos seguros expressando seus verdadeiros “eus” online e começaram a se isolar ainda mais. Nossas vidas agora estão cheias de exposição e como nos representamos online nem sempre é quem realmente somos, mas o que pensamos que o mundo quer ver. Conexões da vida real não vêm da quantidade de gostos que temos em comum ou o número de seguidores ou amigos que temos online. Paramos de ter conversas face-a-face e compartilhar nossas experiências no mundo real. Passamos cada vez mais tempo na mídia social e menos e menos tempo realmente nos conectando uns com os outros. Infelizmente, esse comportamento nos tornou mais solitários, infelizes e mais desconectados do que nunca.
 
Por que o orkut.com não seguiu as mudanças de comportamento dos usuários?
 
Vejo hello.com como o início de um novo capítulo; Não um fim para uma história. O cenário de rede social mudou tremendamente na última década. Todos nós mudamos de muitas maneiras fundamentais sobre a forma como nos conectamos, interagimos online e como acessamos as mídias sociais. O Hello.com é a próxima evolução nas redes sociais e o início de uma nova e maravilhosa jornada.
 
Você pode mencionar alguma tendência que observa no cenário das redes sociais?
 
A principal tendência é o uso de smartphones tablets em vez de computadores desktop e web browers, para acessar a internet. Os avanços mais recentes em infraestrutura e tecnologia móvel possibilitaram mais comunicações de vídeo e streaming. A criação e o consumo de vídeos estão se tornando cada vez mais parte da nossa vida cotidiana.
 
Como você vê as particularidades dos usuários brasileiros na rede social
 
Os brasileiros são muito reais. Eles são acolhedores, simpáticos, expressivos e têm uma perspectiva muito positiva na vida. Eles adoram compartilhar suas experiências e fazer novos amigos. Vemos esse comportamento cultural transcender ao uso da rede social online também.
 
Para aonde a rede social está indo? Qual é o futuro?
 
Com cada geração, as atitudes sociais e a psicologia mudam. Isso afeta os padrões de atividade e uso. Grande parte do compartilhamento autêntico e real mudou de redes sociais para ferramentas de comunicação one-to-one. A nova geração tem medo de deixar uma pegada digital de suas vidas diárias e começou a limitar as experiências que compartilham online, fazendo isso entre si e dentro das comunidades.
 
Você considera todas as redes sociais efêmeras?
 
Rede social é um cenário em constante evolução. É muito importante permanecer em contato com os avanços na tecnologia, sensibilidade da comunidade e padrões de uso. As redes sociais que não evoluem ao longo do tempo correm o risco de ficarem desatualizadas.
 
Fale um pouco sobre o Hello e suas principais características...
 
A vida é toda sobre paixões. As paixões nos ligam a nós mesmos e às pessoas ao nosso redor. O Hello é um lugar onde você pode compartilhar suas paixões, onde você pode se expressar e se conectar. No Hello, você pode fazer novos amigos e descobrir novas paixões. Juntos, estamos mudando a maneira como a tecnologia nos conecta. Estamos criando um ambiente particular e ao mesmo tempo uma cultura expressiva, acolhedora, autêntica, gentil e genuína. Assim como os velhos tempos do orkut.com, mas em uma nova era digital.
 
Como está o crescimento do Hello?
 
Nossas métricas são fortes em termos de retenção, envolvimento, viralização, feedback quantitativo e qualitativo. Estamos extremamente satisfeitos com a demanda e o tráfego desde o nosso primeiro lançamento público no Brasil. Estamos trabalhando duro para expandir a plataforma globalmente. Nosso lançamento recente de comunidades dobrou o engajamento dos usuários do Hello.
 
Por que você acha que os brasileiros devem gostar cada vez mais do Hello?
 
Como eu disse, o Hello é construído sobre as paixões. Os brasileiros são muito apaixonados pela vida e eles são muito abertos para compartilhar seus interesses e se conectar uns com os outros. Estamos sempre espantados com todo o conteúdo exclusivo que nossos usuários brasileiros estão criando e surpreendidos pela maneira como estão se conectando, fazendo novas amizades e construindo comunidades.
 
Existe espaço ou oportunidade para anúncios? Como funciona a plataforma neste aspecto?
 
Nosso objetivo é fornecer a melhor experiência de usuário. Acreditamos que os anúncios devem melhorar a satisfação geral do público e não prejudicá-la. Infelizmente, a maioria dos serviços de mídia social está mais preocupada com a monetização do que com a criação de melhores experiências. O Hello é sobre paixões e há uma enorme quantidade de consumidores apaixonados por marcas. Estamos começando a ver essas marcas fomentar engajamento no Hello com o nosso recurso de novas comunidades. Quer um exemplo? O Netflix é uma das comunidades mais populares no Hello. Estamos investigando como podemos tornar fazer dos anúncios de marcas uma experiência melhor para nossos usuários.



Adnews (16/03/2017)



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